Lixo Espacial em Expansão: Quase 15.000 Satélites Orbitando a Terra — E Pode Ficar Muito Pior


Ponto de Atenção:

Com o avanço acelerado das constelações de satélites lançadas por empresas privadas, o espaço ao redor da Terra se tornou uma arena cada vez mais congestionada. Segundo estimativas de março de 2025, cerca de 14 900 satélites orbitam o planeta — aproximadamente 11 000 a 12 000 estão ativos, enquanto 3 000 a 4 000 são inativos ou representam lixo espacial.

Gigantes em Órbita

  • A SpaceX domina esse cenário com sua constelação Starlink, que em agosto de 2025 já contava com cerca de 8 094 satélites, dos quais 8 075 estavam ativos.
  • A Amazon, por meio do Project Kuiper, lançou até agosto de 2025 102 satélites, com planos de chegar a 3 236 unidades.
  • A China também entrou na corrida com o Guowang, um ambicioso projeto de megaconstelação planejada com mais de 13 000 satélites.

Os Riscos São Reais

  1. Colisões catastróficas: Mesmo fragmentos minúsculos, viajando a mais de 28 000 km/h, podem desestabilizar satélites ativos ou ameaçar embarcações espaciais como a ISS.
  2. Síndrome de Kessler: Um efeito cascata no qual colisões geram detritos que, por sua vez, causam novas colisões — rapidamente, a órbita pode se tornar intransitável.
  3. Interferência científica e ambiental: Luzes e sinais desses satélites prejudicam observações astronômicas e aumentam as emissões de CO₂ por decolagens frequentes.

Se Nada for Feito…

  • Estimativas apontam que, nas próximas décadas, o número de satélites ativos pode chegar a 100 000 antes de se estabilizar.
  • Até 2030, junto aos já planejados aumentos, os lançamentos podem mais do que dobrar o número atual, provocando uma crise de sustentabilidade orbital.
  • Impactos ambientais devem crescer: o uso intensivo de combustível fóssil nos lançamentos resulta em uma pegada de carbono de 250–469 kg CO₂ equivalente por assinante por ano — até 14 vezes mais que redes terrestres comparáveis.

Governança: O Que Está em Jogo

  • A União Europeia propôs recentemente o Space Act, uma legislação para unificar normas espaciais, incentivar rastreamento de resíduos orbitais, segurança cibernética e impactos ambientais.
  • Iniciativas como a IRIS² visam lançar 290 satélites até 2030, criando alternativas regionais à Starlink e promovendo competição regulamentada.

Recomendações aos Governos e Agências

  1. Regrar o ciclo de vida dos satélites — obrigando planos de desorbitagem ou reutilização.
  2. Multas por negligência orbital — responsabilizando financeiramente os lançamentos que causarem danos.
  3. Incentivar tecnologias de “limpeza espacial”, como satélites especializados em recolher ou desviar detritos.
  4. Monitoramento contínuo com sistemas internacionais, integrando dados de radar e satélite.
  5. Limitar lançamentos via quotas ou licenciamento estrito, sobretudo para megaconstelações.

Conclusão

A órbita terrestre é patrimônio compartilhado — mas, sem uma regulação robusta, estamos a caminho de transformar o espaço em um ambiente hostil à tecnologia e à ciência. O futuro tecnológico depende de uma ação coordenada e responsável hoje.

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